Redundância

domingo, 31 de outubro de 2010


Estava cega,
Não via porque tinha medo
de revelar-se nos olhos.
Engrupia seus sentimentos,
perdia seus sentidos.

Os passos dados
eram inversos aos dos pensamentos.
Cada vez mais distante,
procurava alguém que
só existia no mundo onírico.

Um plano espiritual
que une ambas as almas.
O lugar onde o passado e o presente
se encontram e tomam a forma
que a mente erudita deseja.

E se...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

...Você soubesse que o mundo iria acabar hoje, o que você faria? Continuaria aí parado, pensando como poderia ter sido diferente? O passado é imutável, mas o futuro é dinâmico - a escolha é sua.


Aproveite o tempo que lhe é dado.

Flashback


"Bem, eu não sei exatamente como começar. Eu poderia ir direto ao ponto e dizer logo por que estou aqui, mas não sou capaz de expressar tal sentimento em palavras, ou pelo menos qualquer coisa que você possa entender. Na verdade não sei nem porque estou fazendo isso, me parece um pouco inconsequente e precipitado, mas igualmente relaxante e necessário. Bem...Eu não sei o que aconteceu comigo na semana passada; talvez aquele drink tenha me deixado um pouco alterada e eu não pensei em meus atos, mas sinto que tudo o que eu disse foi realmente verdade. Você pode analisar de um ponto de vista diferente, talvez possa achar que eu esteja ficando louca, mas se realmente há um problema, esse problema sem dúvidas é comigo.
Olha, pode apagar, não precisa continuar, talvez eu só esteja fazendo isso porque está preso em mim, e ninguém melhor do que o próprio motivo para me libertar desse aperto. Pode ignorar, aliás, nem comece a tentar entender. Veja pelo lado bom...Agora tem motivos, talvez agora possa me odiar com razão. Sei que não cumpri minha promessa, eu sei, estou ciente que perdi toda a minha razão, mas pense bem...Se isso realmente tiver um lado bom...Mas veja, agora tem um motivo para rir de mim. Noite passada me perdi em pensamentos de novo, e acho que imagina onde todos eles foram parar, mas me serviu de algo: as horas passaram bem rapidamente enquanto um flashback passava pela minha mente.
A indiferença não me importa agora, o descaso também não, muito menos a ignorância e o rancor. Eu precisava fazer isso, percebo agora: eu estou ligando para dizer que ainda..."


Uma voz suave e calma disse pausadamente com um português invejável: "-Limite de tempo da caixa postal atingido, fim da ligação." Eu lamentei, mas talvez eu tivesse que parar exatamente aí, antes de me sentenciar ao novo começo.


Para o melhor amigo do mundo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

É tudo uma questão de aprendizado. Eu te ensino, você aprende, e vice-versa. Não queremos nada demais, só nos deixe caminhar, juntos e solitários no vácuo de um caminho sem fim no qual não tememos mais. Segure minha mão, forte, para que quando precisarmos correr eu não te perca no escuro. Não precisamos de palavras, não. Elas são desnecessárias quando podemos sorrir, cale-se e deixe que seu sorriso e seu olhar falem por ti enquanto sonha, flutua. Não olhe para mim, não gaste tempo, posso ler seus pensamentos com mais facilidade do que imaginava, posso sentir o que sente sem ao menos te tocar, posso ver o que vê sem ao menos abrir os olhos.

Não, não solte a minha mão, ainda não estou pronta para seguir sozinha, não me deixe aqui no escuro; não te enxergo, te procuro em vão enquanto um profundo suspiro de alívio me invade. Por que sentir alívio se não posso te ver, não posso te sentir, por que sentir alívio se me deixa sozinha antes que possa seguir? Um segundo de desespero terminado pela certeza de sua volta, "Nunca vou te deixar", sua voz ecoa em minha mente.
Sigo em direção à escuridão total, sem enxergar sei exatamente onde ir; continue me puxando por seus pensamentos, continue, não deixe que me perca. A escuridão me invade, me fazendo sentir medo, mas sua voz nunca deixa de ecoar; se pudesse voaria para fora desse labirinto escuro, voaria para onde posso enxergar, aí deitaria, e a luz poderia me invadir, me fazendo flutuar.
Por mais brilhante que me pareça eu não teria o mesmo prêmio; por mais certo que me pareça, eu nãoteria o mesmo fim. Por pior que a escuridão pareça, ela não é má, a escuridão é uma simples mistura de cores apagadas, a simplicidade de transformar o complicado em fácil, e os seus erros em consequências.
Me perco em pensamentos, e me esqueço de seguir em frente. Dando passos longos e com segurança, como se não caminhasse no escuro, sigo seus pensamentos que me invadem e me fazem andar cada vez mais rápido, logo me pego correndo.
Eu corro, cada vez mais rápido, seus pensamentos são fortes demais. Até que eu caio no chão, seus pensamentos somem e o medo do escuro me invade. Me encolho, abraçando meus joelhos, sinto que não sou capaz de levantar, nunca mais. Lágrimas quentes escorrem pelo meu rosto gelado, a brisa escura fica a minha volta, ela me protege, o que me deixa mais calma. Seus pensamentos voltam, eu abro os olhos e sinto que posso flutuar; me levanto do chão rapidamente, como se algo me puxasse para cima com pressa. Volto a correr, e parece que algo continua a me puxar, seguimos correndo para fora da escuridão, logo sou capaz de ver.
FOI VOCÊ QUE ME LEVANTOU QUANDO CAÍ, QUE ME FEZ SORRIR QUANDO ESTAVA A CHORAR, QUE ME CUROU QUANDO ESTAVA MACHUCADA E QUE ME GUIOU QUANDO NÃO PODIA ENXERGAR. SEMPRE FOI VOCÊ O TEMPO TODO, CUMPRINDO A PROMESSA DE NUNCA ME DEIXAR.
Ao meu grande amigo, que sempre esteve comigo em todos os momentos da minha vida, Luan. "E quando meu mundo estiver de ponta cabeça, eu sei que você estará ao meu lado."
Eu te amo.

Perfeito mundo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010


Perdida nos contos de fadas, perdida nas grandes histórias de ficção, a pequena garota queria encontrar o caminho certo, queria achar a magia que existia em sua vida, queria poder ver a fantasia que existia por detrás das mais simples coisas.

Mas onde será que estava a magia? Ela havia sido roubada? A vida roubou-a da pequena garota, ela não achava seu castelo, não achava seu herói. Ela descobriu que tudo era mentira, descobriu que não passava de hipocrisia tudo que ela via diante de seus olhos inocentes. A inocência sendo quebrada pela mentira. A decepção ensinando a viver. Mas ela não havia desistido, nas melhores história havia o lado negro, o lado obscuro que desejava destruir o bem. Talvez o conto de fadas não fosse tão maravilhoso assim. Talvez a vida não fosse tão encantada assim. Talvez as pessoas esquecessem que nem tudo são apenas flores. Talvez as pessoas esquecessem de que a ignorância nasceu com o homem, amor e ódio andando lado a lado, confiança é a resposta. A verdade nua e crua é mais dificil de se lidar, é mais dificil de se conviver com ela, deve ser por isso que as pessoas nem sempre têm a idéia do que se passa no mundo, porque a realidade nua e crua é mais dolorida de se presenciar. Ser que destrói a própria espécie, ser que maltrata e julga. "O homem é o lobo do próprio homem", assim disse Thomas Hobbes.

P.S.: I will always love you

segunda-feira, 25 de outubro de 2010



Uma carta na entrada da porta, eu sorri. Papel áspero, cor de creme, assinado com letras inclinadas, redondas e incertas; a caneta preta que me parecia ainda nova, uma cor forte, poderia confundir com algo impresso. Eu peguei, ela agora está sobre a mesa da cozinha, e eu sinto um frio na barriga, não há remetente, apenas está escrito: "Alguém que precisa lhe dizer algo."

Eu a seguro com as pontas dos dedos das duas mãos, respirando pausadamente como se aquele pequeno e bem feito envelope fosse o olhar de alguém sobre o meu; coloco o meu dedo indicador sob o pequeno adesivo que fecha o envelope com delicadeza e perfeição, eu começo a descolar e ele se solta facilmente, fazendo a ponta do envelope aberta balançar. Com a ponta de quatro dedos eu puxo um papel, pequeno, dobrado ao meio. Eu o seguro enquanto deposito o envelope já violado na mesa; a pequena folha é tão áspera quanto o envelope, pelo menos em minhas mãos, como se viesse mergulhada em milhões de pequenas lixas cor de creme novamente.

Em um movimento rápido e preciso, abro a folha, escrita sem parágrafos, em um paredão de palavras que em breve encheriam minha mente; a mesma letra do envelope, agora eu podia analisar melhor: uma bela ortografia, antiga, rústica, porém igualmente delicada.

Foco meus olhos nas primeiras palavras, meu nome completo, começado por letra minúscula, continuo a ler sem me importar com qualquer erro ortográfico:



"Como provar, como conseguir, como entender? Creio
que palavras, escritas ou ditas, são pouco, não é o necessário; símbolos,
cometas ou uma doce melodia. Uma estrela cadente poderia passar por mim, para
que eu fizesse o mais simples dos pedidos: sorrisos.

Outra noite eu sonhei com alguns. Uns mais tímidos,
outros mais abertos, um simples e um que eu me pergunto como é possível. Veja,
ou melhor, sinta. Eu queria lhe provar apenas uma coisa, eu não preciso de
respostas ou um de seus melhores argumentos, só gostaria de lhe provar que ainda
não tenho o que existe de mais valioso, aqui, no meu mundo. Será que preciso
realmente lhe provar para que eu ganhe minha recompensa eterna? Ele viverá aqui
em minha mente, para o resto dos tempos, enquanto eu respirar, enquanto eu
enxergar, enquanto eu puder imaginar. Quanto tempo eu devo esperar, quantas
horas perderei imaginando, como será um sorriso seu?"



Eu dobro o papel novamente, como ele estava, o coloco dentro do envelope creme e o selo com o adesivo que o prendia. Um minuto para assimilar. Um segundo para perceber. Uma vida para entender. Quem me dera saber onde está, queria poder lhe contar. Pego um papel, pequeno pedaço de uma folha branca, com minha grafia redonda e aveludada, escrevo:
"Quanto tempo devo esperar, quantas horas perderei imaginando, como será que
reagiria ao saber que todos os meus sorrisos são por saber que você existe, e
está em algum lugar, apenas me esperando."

Para alguém além de mim.

domingo, 24 de outubro de 2010

Sim, perguntaram se era saudade, respondi que era o desencontro habitual dos que se querem bem e são obrigados a serem guiados pelo tempo, retruquei com lágrimas, não forcei a barra, andei pelo fio do desespero, vaguei lentamente pelas ruas da solidão, mas a distância irá sempre sê-la. O meu amor foi obrigado a paralisar, diminuir é impossível; fingir só aumenta a dor.
Te esperarei numa esquina que ainda deconheço e estaremos "abertos", disponíveis para a intensidade que nos aguarda.

Partir



O último contato
É sempe terrível...
Não há quem o esqueça.

O último olhar,
Diferente daquele
Com que fomos recebidos.

O brilho dos olhos,
Mas, da última gota
de lágrimas que esvanece

O último som que se recorda,
Não o jazz habitual dos dias de sábado,
Mas, o bater da porta.

Esgotam-se as palavras...
Sobraram apenas
Soluços, raiva e tristeza.

Para um amor, que se foi...

Para um amor, que já não existe.

sábado, 23 de outubro de 2010

Duas palavras e um gesto,
Apenas...
O amor acaba,
Como se não existisse razão
Para as coisas incomuns

Quantas vezes terei
Que matar meu ego
Para suscitar o amor
Que deixei cair da ribanceira?

Quantas vezes escondi minha moral,
E deixei que o sentimento
Falasse mais forte
Que a razão?

Sempre que for preciso,
Pisarei no meu espírito de nobreza
E não deixarei que o amor sucumba
A exaltação do ego.

Partirei,

Partirei,

Não sei quando.

Só sei que vou.

Carregarei apenas um guarda chuva,

E um caderno em branco.



Terei o olhar de quem nunca esteve aqui,

Terei a alma de um dia que foi somente minha.

Partirei sem saudades...



Colocarei na mala amor, paixão, tristeza e solidão,

e a despacharei no rio mais fundo de mim,

Fui forte, e não pestanejei perante o medo.



Dobro como roupa as canções que fez para mim

No mais silencioso espaço da mala...

Atiro-a para longe,

E assim

Parto.


'Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo, mais que amor.'

Followers

Pages


'A maldição de pensar fez suas vítimas: em minha geração, vi muitos poetas se transformarem em críticos, teóricos, professores de literatura' Leminski



Minha foto
Rubia M.
"Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então. Receio que não possa me explicar, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma."
Visualizar meu perfil completo

Search box

Footer

About Me


'Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada...Porque no fundo a gente não está querendo alterar coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...'

Tecnologia do Blogger.

About Me

Minha foto
"Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então. Receio que não possa me explicar, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma."