P.S.: I will always love you

segunda-feira, 25 de outubro de 2010



Uma carta na entrada da porta, eu sorri. Papel áspero, cor de creme, assinado com letras inclinadas, redondas e incertas; a caneta preta que me parecia ainda nova, uma cor forte, poderia confundir com algo impresso. Eu peguei, ela agora está sobre a mesa da cozinha, e eu sinto um frio na barriga, não há remetente, apenas está escrito: "Alguém que precisa lhe dizer algo."

Eu a seguro com as pontas dos dedos das duas mãos, respirando pausadamente como se aquele pequeno e bem feito envelope fosse o olhar de alguém sobre o meu; coloco o meu dedo indicador sob o pequeno adesivo que fecha o envelope com delicadeza e perfeição, eu começo a descolar e ele se solta facilmente, fazendo a ponta do envelope aberta balançar. Com a ponta de quatro dedos eu puxo um papel, pequeno, dobrado ao meio. Eu o seguro enquanto deposito o envelope já violado na mesa; a pequena folha é tão áspera quanto o envelope, pelo menos em minhas mãos, como se viesse mergulhada em milhões de pequenas lixas cor de creme novamente.

Em um movimento rápido e preciso, abro a folha, escrita sem parágrafos, em um paredão de palavras que em breve encheriam minha mente; a mesma letra do envelope, agora eu podia analisar melhor: uma bela ortografia, antiga, rústica, porém igualmente delicada.

Foco meus olhos nas primeiras palavras, meu nome completo, começado por letra minúscula, continuo a ler sem me importar com qualquer erro ortográfico:



"Como provar, como conseguir, como entender? Creio
que palavras, escritas ou ditas, são pouco, não é o necessário; símbolos,
cometas ou uma doce melodia. Uma estrela cadente poderia passar por mim, para
que eu fizesse o mais simples dos pedidos: sorrisos.

Outra noite eu sonhei com alguns. Uns mais tímidos,
outros mais abertos, um simples e um que eu me pergunto como é possível. Veja,
ou melhor, sinta. Eu queria lhe provar apenas uma coisa, eu não preciso de
respostas ou um de seus melhores argumentos, só gostaria de lhe provar que ainda
não tenho o que existe de mais valioso, aqui, no meu mundo. Será que preciso
realmente lhe provar para que eu ganhe minha recompensa eterna? Ele viverá aqui
em minha mente, para o resto dos tempos, enquanto eu respirar, enquanto eu
enxergar, enquanto eu puder imaginar. Quanto tempo eu devo esperar, quantas
horas perderei imaginando, como será um sorriso seu?"



Eu dobro o papel novamente, como ele estava, o coloco dentro do envelope creme e o selo com o adesivo que o prendia. Um minuto para assimilar. Um segundo para perceber. Uma vida para entender. Quem me dera saber onde está, queria poder lhe contar. Pego um papel, pequeno pedaço de uma folha branca, com minha grafia redonda e aveludada, escrevo:
"Quanto tempo devo esperar, quantas horas perderei imaginando, como será que
reagiria ao saber que todos os meus sorrisos são por saber que você existe, e
está em algum lugar, apenas me esperando."

3 reviews:

*★___Fai disse...

você escreve muito bem, ta de parabéns.

thamires_fg01 disse...

nossa amei o texto...
lindo seu blog!!
ta de parabéns viu ^^
ja to seguindo você viu!!
me segui tbm???
bjuss

Ação e Arte e Único uma criação de Allan Ruy disse...

hehehe o texto ta massa mais a fonte ta pequenina e com fudo claro letra branca fica um pouco ruim de ler... + ta massa seu blog.
visite: http://acaoeartehqs.blogspot.com/

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'Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo, mais que amor.'

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"Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então. Receio que não possa me explicar, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma."
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'Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada...Porque no fundo a gente não está querendo alterar coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...'

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